No passado dia 31 de maio de 2026, entre as 9h30 e as 13h00, participei como guia fotográfico na caminhada “Olhares da Arrábida”, uma atividade dedicada à iniciação à fotografia de natureza, integrada na 3.ª edição da Festa de Caminhadas na Arrábida, em Setúbal.
A Festa de Caminhadas na Arrábida é uma iniciativa da Câmara Municipal de Setúbal, em parceria com várias entidades e operadores turísticos da região, que promove a descoberta do Parque Natural da Arrábida, Reserva da Biosfera, através de percursos pedestres pensados para diferentes públicos. Nesta edição, o evento contou também com o reconhecimento do Prémio Turismo Activo pela FITUR Madrid 2026, reforçando a importância da Arrábida enquanto destino de natureza, cultura e turismo ativo.
A caminhada “Olhares da Arrábida” reuniu um grupo de participantes interessados em aprender a observar e fotografar melhor a paisagem, os detalhes naturais e a identidade visual deste território. Acompanhado pela Sandra, que foi contextualizando os locais visitados ao longo do percurso, coube-me orientar a componente fotográfica da manhã, partilhando técnicas simples, práticas e aplicáveis no terreno.
Antes de iniciarmos o percurso, fiz uma breve apresentação do meu trabalho enquanto fotógrafo e expliquei o objetivo da atividade: mais do que falar apenas de equipamento ou configurações, a ideia era ajudar os participantes a olhar com mais atenção, a interpretar a luz, a composição e os elementos naturais da paisagem.
Ao longo da caminhada foram abordados conceitos fundamentais de fotografia, como a regra dos terços, o uso de linhas-guia, o enquadramento natural, a procura de padrões, a relação entre primeiro plano, plano intermédio e fundo, bem como a importância da luz e da escolha do ponto de vista. O objetivo foi manter uma abordagem acessível, permitindo que cada participante pudesse aplicar imediatamente estas ideias com o equipamento que levava consigo.
O percurso passou por vários locais emblemáticos da Arrábida, incluindo o Sítio Arqueológico do Creiro, a Praia do Creiro, a zona do Pontão e a Lapa de Santa Margarida. Cada paragem permitiu explorar diferentes possibilidades fotográficas: desde vistas amplas da paisagem até detalhes de rochas, vegetação, texturas, reflexos e movimento da água.
No Sítio Arqueológico do Creiro, foi possível falar sobre composição em paisagem, utilização do tripé e aplicação de filtro polarizador para controlar reflexos em folhas e superfícies, ajudando a melhorar a leitura das cores e dos contrastes naturais. Já na Praia do Creiro, com a presença da icónica Rocha da Anicha e a maré baixa, foram exploradas ideias ligadas à fotografia junto ao mar, incluindo a utilização de filtros ND para longas exposições e a importância de trabalhar com o tripé próximo do solo para valorizar texturas, pedras e o movimento das ondas.
Na zona do Pontão, a água voltou a ser um elemento central, permitindo demonstrar como uma exposição mais longa pode transformar a perceção do movimento e criar imagens mais suaves e atmosféricas. Na Lapa de Santa Margarida, o desafio passou sobretudo pelo contraste entre luz e sombra, pela fotografia em contraluz e pela forma como se pode usar a arquitetura natural da gruta para criar imagens com maior profundidade e impacto visual.
Foi um privilégio participar como guia fotográfico nesta iniciativa e contribuir para aproximar os participantes da fotografia, da paisagem e da riqueza natural e cultural da Arrábida.
A Arrábida continua a ser um território inesgotável para quem gosta de caminhar, observar e fotografar.